Homilia Dominical | 09 de Fevereiro de 2025
Mons. Vinícius Magalhães
Meus irmãos e minhas irmãs, neste quinto domingo do Tempo Comum, estamos reunidos para celebrar o dia do Senhor, e o Evangelho que ouvimos hoje, retirado do evangelista Lucas, nos oferece uma profunda reflexão sobre o chamado de Deus e o papel da Igreja na missão de Cristo.
O Evangelho nos apresenta a barca de Simão Pedro, um símbolo importante para compreendermos a Igreja. A barca de Pedro não é apenas um barco de madeira, mas um lugar de comunhão, um espaço de encontro entre o Senhor e os seus discípulos. Jesus escolheu a barca de Simão, e assim, a Igreja, que nasce do coração de Cristo, é o meio através do qual Ele realiza a sua obra no mundo. A Igreja não é uma construção humana, mas um desejo divino, que tem em Cristo o seu fundamento e o seu guia.
A primeira coisa que nos chama atenção é o fato de que, quando Jesus sobe na barca de Simão, Ele começa a ensinar. A Igreja, como a barca de Simão, é um lugar onde o ensinamento de Cristo deve ser transmitido. O papel da Igreja não é criar sua própria verdade, mas transmitir fielmente aquilo que recebeu de Cristo, o Mestre. A Igreja, portanto, é a educadora da fé, transmitindo a Palavra de Deus através dos séculos, sempre fiel à verdade revelada, como nos ensina a segunda leitura, onde São Paulo recorda o Evangelho que recebeu e transmitiu aos coríntios: o Evangelho de Cristo, que traz a boa nova da salvação para todos.
Após ensinar, Jesus diz a Simão: “Avança para águas mais profundas”. Aqui vemos o convite à missão. A Igreja, à semelhança de Pedro, é chamada a lançar as redes mais fundo, a ir além do que é confortável, a enfrentar as águas turbulentas do mundo e, mesmo quando parece que nada conseguimos, a confiar na palavra do Senhor. A Igreja deve lançar as suas redes com fé, sem dúvida, pois sabe que, ao obedecer à palavra de Cristo, as suas ações serão abençoadas.
Simão, após a pesca milagrosa, reconhece a grandeza de Cristo e se prostra, dizendo: "Senhor, afasta-te de mim, porque sou um homem pecador". Este é o gesto de humildade que nos ensina a reconhecer a nossa limitação e a nossa pecaminosidade diante de Deus. Mas, como Pedro, a Igreja é chamada a confiar em Cristo, mesmo em sua fragilidade. Embora composta por homens e mulheres imperfeitos, ela permanece santa porque é Cristo quem a santifica e a sustenta. A Igreja, com todos os seus membros, é instrumento de salvação, e mesmo nas suas imperfeições, ela é luz para o mundo.
Por fim, Jesus chama Pedro para ser “pescador de homens”, assim como Ele nos chama, através da Igreja, a ser instrumentos de sua missão. A Igreja, portanto, não é um fim em si mesma, mas um meio através do qual Deus alcança e salva a humanidade. O convite que hoje nos é feito é o mesmo de Jesus a Pedro: lançar as redes, confiar em Sua Palavra e responder ao Seu chamado, mesmo diante das dificuldades e limitações.
Meus irmãos e irmãs, que neste domingo, ao meditarmos sobre a barca de Pedro, possamos renovar o nosso compromisso com a missão da Igreja. Que, como Pedro, possamos ouvir e obedecer à voz de Cristo, confiando em Sua presença em nossas vidas e em nossa missão de levar a Boa Nova a todos os povos. Que, com humildade e confiança, possamos ser verdadeiros pescadores de homens, cumprindo a missão de Cristo, com coragem e fé. Amém.


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